segunda-feira, 7 de abril de 2008

No espelho

O louco à beira do caminho ou da pia
olha pra lua e vê um precipício;
Debaixo sente o céu impotente em lhe deter.
Vê nas nuvens plataformas firmes;
Das estrelas imagina aquilo que não vê.
Apalpa cuidadosamente o que seriam gotas;
De louco que é se molha sem querer.
De céu abismo no mar a sul prevê.
Olhando pra dentro olha e não vê nada.
A frente, acima do horizonte, olha e vê um bonde
Já se prepara pra correr!
Quando olha nos meus olhos, o louco, se espanta
Me vê espelho e resistentemente dita:
- “Só mais um louco!”
Ele não sabe o que dizer.

domingo, 6 de abril de 2008

Sobriezia

Nunca achei que chegássemos tão longe e é isso que incomoda e às vezes me dá medo - estar exatamente onde não consegui me imaginar.
Outro sabor, outro cheiro, outra luz, nova forma, daquele jeito que eu busquei. Vida que não para de mudar.
A saciedade que naquele tempo me proporcionava a imagem do futuro me esperando agora é certeza de que não vou viver o que previ. Se quiser ainda outra certeza espere pro futuro um passado cada vez menos convicto fruto das continuadas replicas da vida. E sonhos, espere sonhos já que ainda é possível sonhar.
Tentarei um novo jeito: dar nome aos entes distorcidos, reconhecer o que esta posto, rir, preservar a sobriezia, esquecer a idade, buscar a terra prometida, sentir o gosto, gozar do dia, me comprometer, acreditar ser possível.
Outro sabor, outro cheiro, outra luz, nova forma, um novo jeito, daqueles que eu busquei.

Kaleb